sustentabilidade

O fim do ano é fechado com o encerramento de várias épocas e o surgimento de novas: fim do verão, a passagem pelo Halloween e a abertura de mais uma época natalícia. Assim, marcas de bens e serviços acompanham naturalmente estas épocas verificando oportunidades importantes para comunicarem o que de melhor podem oferecer aos seus potenciais clientes.

Associadas a cada uma destas épocas há fatores emocionais relacionados, como a boa disposição trazida pelo sol e pelo calor, a alegria mascarada pelos trajes tenebrosos e as abóboras moldadas, seguindo-se o Natal que com ele traz o espírito da paz, harmonia, solidariedade e gratidão. Desta forma, para além dos diversos temas relacionados com as ações de comunicação em que são inseridos itens alusivos à época (neve, renas, pai natal, bonecos de neve, árvores de natal...) surge uma outra oportunidade de marketing que tem mais relevo e razão de ser: a responsabilidade social.

A responsabilidade social é resumidamente um conjunto de ações voluntárias que as empresas tomam, normalmente dirigidas a um público interno (colaboradores, clientes, acionistas) ou externo (comunidade local ou não, ambiente, etc.).
Mas e afinal para que serve? para que o fazem quando muitas vezes há custos envolvidos?

Poder-se-á pensar que estas ações são simplesmente elaboradas por imposição governamental ou para adquirir algum tipo de regalia fiscal. Contudo, a principal razão deste tipo de atividades deverá ser focada num processo contínuo e de melhoria da empresa na sua relação com seus funcionários/parceiros e na comunidade em que se insere, através de valores como honestidade, equidade e integridade. Como retorno, esta estratégia de marketing cria uma maior associação emocional entre a comunidade/consumidor final e a marca do produto/serviço que financiou as referidas ações, ganhando maior notoriedade, desejo/curiosidade de experimentação por parte dos consumidores, fidelização dos atuais clientes e reconhecimento generalizado. Porém, para além desta relação emocional criada com os stakeholders, gerada por uma comunicação objetiva e estrategicamente direcionada (e muitas vezes viral) , as empresas obtêm com isto o principal objetivo: o fortalecimento do reconhecimento e posicionamento da sua marca, e com isso, numa maior angariação de clientes.

Finalizando o tema põe-se a questão: qual a causa/tema que cada empresa deve abraçar?

Aí reside um maior conflito de opiniões, contudo, existem pontos que deverão ser tidos em conta: as características das ações deverão ser alusivas às atividades praticadas pela empresa que atua, por exemplo:
• Se é uma fábrica de produção/embalamento alimentar, porque não organizar uma ação em que se doe parte da produção à comunidade local mais carenciada?
• Se se tratar de um evento direcionado a jovens (festival de música, evento desportivo, certame, etc) porque não estabelecer uma parceria com alguma fundação e promover a oferta de bolsas de estudo?
• Uma transportadora/consultora poderá prestar alguns dos seus serviços/know how prestado algum tipo de serviço gratuito a instituições que realmente necessitem dos mesmos.
Com estes exemplos poderá surgir uma nova questão: então uma financeira ou uma empresa de cobranças, ou transportadora poderá fazer o quê? As empresas anteriormente referidas poderão prestar algum tipo de apoio que não se relacione com a sua área de atividade? a resposta é Sim. Claro que sim. Aí entram as oportunidades de responsabilidade social associadas à problemática mais contemporânea, próxima da realidade local e atual, nomeadamente:
• Combate aos fogos: plantação de árvores, ajuda à população afetada;
• Combate à pobreza/abandono: remodelação de estruturas que estejam danificadas (pintura, carpintaria, reparação, entre outros) como lares de idosos, associações de apoio, habitações próprias;
• Combate ao abandono animal: ajuda no cuidado de animais institucionalizados (lavagem, alimentação, passeios), manutenção das instalações das instituições, elaboração de ações de comunicação, etc;
• Ações de angariação de fundos para posterior entrega dos mesmos a instituições escolhidas;
• E muitas, muitas outras.

Há assim um grande número de ações que poderão ser feitas, e que se associam à época natalícia que se aproxima, contudo, e embora a responsabilidade social seja de extrema importância para a comunidade, o reconhecimento e o retorno das empresas que as promovem não deverá ser esquecido.

Esta imposição de retorno (seja emocional, de reconhecimento e/ou financeiro) poderá parecer egoísta, ou mesmo oportunista, contudo é necessária para que estas ações de responsabilidade social praticadas não sejam apenas sazonais mas sim se tornem em oportunidades de melhoria contínua durante todo o ano, fazendo com que as empresas simbolizem um apoio importante à comunidade em que se inserem.